segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SEM SAIR DE CASA

O varejo brasilerio vive um grande momento, não há dúvida. O aumento do poder aquisitivo da população, associado ao entusiasmo em consumir produtos que vão além do básico, fizeram de 2010 o melhor ano da década para o setor, segundo o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). A previsão para 2011 é de incremento de 8%. Mesmo com esse cenário animador, percebe-se um fenômeno interessante: comprar não é mais, obrigatoriamente, um ato que exige sair de casa ou do trabalho. Não é mais necessário ir a algum lugar para consumir. A falta de tempo, o trânsito caótico das cidades, a dificuldade de estacionar (mesmo nos shoppings) e a necessidade de segurança têm feito com que cada vez mais pessoas usem a internet ou a venda direta - antigo porta a porta - como uma maneira de suprir suas necessidades.

Alguns dos grandes facilitadores desse fenômeno são a internet e o comércio eletrônico. A facilidade de acesso e a confiança das pessoas nos sistemas de pagamento e de entrega têm gerado números animadores. De acordo com a E-bit (empresa especializada em medição do comércio eletrônico), em 2010, 23 milhões de brasileiros fizeram pelo menos uma compra online, sendo gerados 40 milhões de pedidos em todo o Brasil. Esse consumo está baseado em uma gama de produtos cada vez mais ampla. Os eletrodomésticos respondem por 14% das vendas; produtos de saúde, beleza e medicamentos, 12%; livros, jornais e revistas, 12%; informática, 11%; e eletrônicos, 7%. O valor médio das compras (ticket) no ano passado foi de R$ 373,00.

Esses números, por si só, já mostram uma tendência. Mas se somarmos a eles o desempenho das vendas porta a porta ou, como se denomina hoje, vendas diretas, teremos um recorte ainda mais interessante e pujante desse comportamento do brasileiro. Conforme a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), em 2010 o volume de negócios alcançou R$ 26 bilhões, volume 17,2% superior ao do ano de 2009. Interessante, principalmente, quando tomamos ciência de que para vender isso tudo o segmento abriga 2,76 milhões de pessoas, de acordo com a ABEVD, oferecendo os mais variados produtos, como deo-colônias, cremes, loções, desodorantes, sabonetes, leite, água mineral, pães e água sanitária. A lista não para de crescer, pois há público querendo comprar cada vez mais.

Esse mercado é tão promissor que gigantes do varejo estão, aos poucos, se movendo para levar seus produtos até as pessoas, das mais variadas maneiras, embalagens e formas de pagamento. Uma pesquisa realizada pela consultoria Nielsen mostrou que para 50% dos brasileiros o principal critério de escolha do local de compra é a proximidade de casa ou do trabalho. Na sequência, 17% afirmam ser a possibilidade de poder comprar tudo de que precisam de uma só vez. Portanto, somando esse dados ao comportamento de compras porta a porta e ao comércio eletrônico, temos a comprovação de que o consumidor brasileiro valoriza cada vez mais seu conforto e seu tempo. As empresas que souberem explorar isso têm tudo para se dar muito bem.

Bira Miranda
Diretor de planejamento da B1 Comunicação e Marketing

Fonte:
www.abevd.org.br

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